Sem levar o leite a sério não teremos economia rural sustentável

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SOLANO FERREIRA

O tempo vai passando e a crise do leite se agrava para os produtores porque para as empresas está tudo muito bom. Gozando de subsídios tributários para o período, os laticínios quebram a cadeia de valor do leite e contribui para que a qualidade do produto não melhore. O que vem acontecendo em Rondônia poderia ser levado adiante no mínimo como sabotagem à produção ou cartelização com a combinação de preço.

O governo de Rondônia deveria ser mais enérgico no sentido de resolver. Tem o poder de tributação e de organização de todo sistema econômico do estado. É uma questão de aplicar os mecanismos que possam, pelo menos, garantir a legislação em vigor e, quem dera, criar novos mecanismos legais para evitar que o problema se repita, uma vez que vem se redizendo a cada ano.

As empresas apresentam alguns argumentos frágeis para impor suas ambições e prejudicar os produtores. Um desses é de que o leite de Rondônia não é bom. Sim, de fato não é bom, e não tem possibilidades de melhorar. A qualidade vem de investimentos e da lucratividade do produtor. Vendendo leite abaixo do custo dificilmente haverá melhoria de qualidade.

A crise do leite em Rondônia é como um calendário previsto para a angústia. Todos os anos se repete mostrando a fragilidade do negócio. Poderia ser um calendário positivo, onde todos os envolvidos na cadeia produtiva se encontrariam para discutir melhorias e comemorar avanços. Assim teríamos mais leite por vaca, teríamos mais gordura no leite, teríamos pecuária leiteira competitiva e empresas justas e dignas de qualquer incentivo. A crise no preço do leite, atrasa outras discussões e debates que se quer estão previstas na pautar do desenvolvimento regional.

O AUTOR É JORNALISTA

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