Os votos somem das urnas ou o eleitor promete mais que os candidatos

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SOLANO FERREIRA

As queixas sobre possíveis fraudes nas eleições não param e obrigam o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a concentrar atenção em dar respostas aos aflitos e inconformados com os resultados das urnas. Inspirados pelo presidente norte-americano Donald Trump, as justificativas dos fracassos eleitorais se voltaram contra o sistema de votação e apuração. Ninguém provou nada sobre o denuncismo que tomou conta do pós-eleições. O TSE aproveitou a onda de reclamações para consolidar o conceito de confiança no voto eletrônico.

A mais recente queixa dizia que, candidatos pelo país tiveram votos duplicados ou alterados pela Justiça Eleitoral, sendo por isso que a Corte, realizou na última segunda-feira (23), em algumas cidades a visualização de dados sobrepostos a votos de postulantes a prefeito e vereador. Os boletins de urnas, que são os extratos com os votos totalizados em cada sessão, foram disponibilizados para os candidatos que tinham dúvidas.

O que os candidatos não observam é que o comportamento do eleitor muda com frequência, porém, a velha mania de prometer o mesmo voto para diversos candidatos, isso não muda. Na ansiedade de vencer o pleito, cada candidato faz a sua lista de possíveis votos, diante das inúmeras promessas entre um e outro aperto de mão. É por essa conta que centenas de candidatos sonham com as dezenas vagas.

Para reforçar a confiabilidade, o TSE voltou a divulgar aquilo que todos os partidos e candidatos experientes já sabem: a “apuração dos votos é conferível e auditável”, que após a votação a urna emite um comprovante impresso chamado “Boletim de Urna”, o qual mostra a quantidade de votos de cada candidato. O TSE também argumentou que os boletins são impressos e entregues aos partidos políticos envolvidos no pleito e que é possível pedir acesso ao juiz da respectiva zona eleitoral. Tudo indica que os votos não somem das urnas, mas parece que cada eleitor (que tem apenas um voto) tem prometido multiplicar esse único voto para diversos candidatos (que parecem acreditar). 

O autor é jornalista

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