Uma nova constituinte pode romper a democracia

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O movimento político que busca convocar uma nova Assembleia Constituinte, para elaborar uma nova carta magna para o país, considera o momento favorável e acredita nessa possibilidade. A chamada Constituição cidadã, que garantiu direitos elementares para o povo brasileiro depois de duas décadas de ditadura militar, conduziu o Brasil para bons rumos de desenvolvimento e deu novo rumo para a vida social no país. Com a Constituição da República de 1988, o nosso país se tornou de fato uma democracia que serviu de parâmetros para outras reformas constitucionais pelo mundo.

Mudar a Constituição não é tão simples assim, mas fazer um plebiscito num momento em que a população está inflamada por ufanismos de direita e de esquerda pode servir de brecha emocional e ter a aprovação popular. Estaria nas mãos do povo leigo decidir sobre algo extremamente técnico e com elevado risco para a democracia. Com as emoções inflamadas, colocar em pauta esse tema é correr o risco de travar um pais caminha em paz e liberdade.

A atual Constituinte já sofreu 116 Emendas para ajustar demandas legais conforme os rumos. Isso é prova de que temos uma Lei máxima democrática a ponto de permitir as alterações parciais ou pontuais à medida que o mundo vai caminhando e a humanidade aperfeiçoando suas formas de vida. O mais satisfatório da Constituição brasileira é justamente a possibilidade de ter e manter a nação sempre democrática.

Durante os 16 anos de governo de esquerda não se ousou romper o processo democrático que faz bem ao país e ao povo. Formalizar uma nova Carta Magna para garantir a governabilidade demonstra falta de alto-confiança governamental ou tentativa de perpetuar no poder a todo o custo. A democracia não tem preço e o Brasil já provou que pode ser governador por qualquer tendência ou ideologia sem perder a hegemonia do povo mais mestiço do mundo.

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