Mulheres incomodam muito mais

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Larina Rosa

O primeiro mês de 2023 nem terminou e já temos fatos suficientes para saber que entra ano e sai ano e a vida da mulher continua difícil. Seja no Brasil na Colômbia ou nos EUA mulheres de todas as idades, classes sociais e culturas diferentes seguem compartilhando algo em comum quando o assunto é a falta de respeito.

Muito me admira o incomodo e os ataques as duas mulheres que transformaram em arte todo o sofrimento e libertação que passaram em seus relacionamentos abusivos. Para quem ainda não sabe recentemente a cantora colombiana Shakira foi atacada nas redes depois que resolveu transformar o desabafo da traição em formato de música.

Ela que desconfiou da traição depois que deu falta da geléia que só ela gostava e acabou descobrindo inúmeras infidelidades foi alvo de ataques porque expôs a mágoa da falta de respeito do companheiro e pai de seus filhos. O foco como sempre foi revertido e encontraram um jeito de apontar o “erro” da cantora em divulgar a decepção do ex. O mesmo aconteceu com a cantora Miley Cyrus que aproveitou para reescrever uma música do Bruno Mars também em resposta para o ex-marido.

Shakira e Miley não reinventaram a roda ao transformarem as decepções da vida em arte e também não são as primeiras a ganharem dinheiro com isso. O mal estar é porque são mulheres, falando do que incomoda e o que incomodou com homens que não as respeitaram. Não vejo críticas com as músicas das duplas sertanejas que ganham dinheiro com temas que não variam de cerveja, traições e mulheres.

Por falar em críticas ronda um silêncio sobre o caso de estupro do jogador Daniel Alves que foi preso na Espanha. Ele que foi criticado várias vezes por homens depois que foi escalado para jogar a copa do mundo agora não é mais alvo dos assuntos deles quando o assunto é estupro. Esse silêncio da parte deles compactuam para que casos de violência persistam na cultura machista. Milhares de mulheres são estupradas todos os dias e a falta de discussões e atitudes tomadas depois da denuncias delas faz com que outras silenciem suas dores por toda a vida.

É preciso estar disposto a apoiar mulheres que são os principais alvos de críticas enquanto são desrespeitadas. Quando elas finalmente resolvem revelar suas mágoas, decepções e dores recebidas por seus companheiros ou desconhecidos elas alertam outras mulheres a identificarem os mesmos sinais em seus realacionamentos abusivos.

Não  é nada fácil denúnciar violência, abuso e assédio, quando elas criam coragem para denunciar o desrespeito é porque precisam serem acolhidas tanto por homens quanto por outras mulheres. Leva um tempo para se amar sem remorso e sem arrependimento depois de denunciar um homem abusivo. O que podemos fazer nesse período é incentivar a denúncia e tomar partido.

Já bastam as decepções desnecessárias na vida dessas mulheres, a última coisa que precisam nesse momento é do julgamento de um mundo machista. Enquanto a dor do desrepeito ainda resiste em ficar só podemos acompanhar elas aprenderem a se amar.

A autora é jornalista

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