Eleições são atípicas com mais tecnologias e mais controles

8

Solano Ferreira

Estamos vivenciando um período eleitoral totalmente diferente dos pleitos anteriores. No momento passamos por uma pandemia e, com isso, os cuidados são redobrados apesar de que as contaminações em integrantes de comitês estão altas; candidatos e eleitores estão experimentando as primeiras eleições municipais com apelo dominante nas mídias sociais; e sentimos que o momento aparenta que o eleitor almeja por mudanças apesar de haver nomes antigos como dominantes. É uma mistura de novo com antigo. Se observarmos bem, muitos nomes novos tem sobrenomes já carimbados.

Nas ruas pouco se vê de ‘formiguinhas’ – pessoas contratadas para acenar bandeiras nas esquinas e distribuir material de propagando de candidatos que nem mesmo conhecem. Pouco se percebe de volumes de campanhas, como os carros adesivados em troca de cotas de combustíveis. Acontece que agora os gastos são mais controlados com as verbas públicas dos fundos partidários e com doações expressamente identificadas e lançadas nos CPFs de doadores e recebedores e isso vai parar na Declaração de Renda de cada. Esse controle financeiro é um dos fatores limitadores dos volumes de campanha.

A Justiça Eleitoral deve utilizar muito mais os recursos tecnológicos nesse pleito, inclusive contra as fraudes. Com quase 80% dos eleitores cadastrados na biometria, o controle será mais seguro e a identificação mais rápida nas seções de votações. A tecnologia também é aliada contra os crimes eleitorais. As ferramentas digitais agilizam e facilitam as denúncias. Qualquer pessoa com um celular na mão vira um agente construtor de provas contra as fraudes. Compra de votos se tornou muito arriscada, pois uma gravação anônima pode colocar tudo a perder.

Mesmo assim, o brasileiro com a mania de dar ‘um jeitinho para tudo’ deve criar alguns meios de burlar as boas práticas. Com um processo eleitoral cheio de mudanças e frio por conta dos desgastes dos políticos, as campanhas silenciosas podem trazer surpresas desde o surgimento de desconhecidos eleitos até a volta por cima de figurões desgastados. Todos cidadãos devem ficar atentos e ajudar na fiscalização.

O autor é jornalista

Deixe seu comentário