Aumento da taxa de pobreza causado pela Covid-19 foi menor que o previsto no Brasil

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Houve um aumento de 1,38 ponto percentual na proporção de pobres no Brasil entre 2019 e 2021, correspondente a pouco menos de 1 milhão de famílias, contrariando assim a previsão feita no começo da pandemia de Covid-19 de que o país teria um crescimento de 7 pontos percentuais nessa taxa. É o que mostra o estudo O Efeito da Covid-19 sobre os Indicadores de Pobreza Brasileiros e as Políticas de Mitigação: Uma Discussão Inicial, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta segunda-feira (20).

Em 2020, quando a pandemia teve início, as previsões foram bastante pessimistas. O Banco Mundial projetava um aumento de 16% na taxa mundial da população em extrema pobreza. Por sua vez, um estudo dos pesquisadores Andy Sumner, Eduardo Ortiz-Juarez e Chris Hoy, da United Nations University, afirmava que o Brasil seria responsável por 30% dos novos pobres na América Latina, pois a taxa de pobreza aumentaria em quase 7 pontos percentuais, ou mais de 14 milhões de brasileiros passariam a viver abaixo da linha de pobreza.

As previsões, porém, não se confirmaram, avalia a Nota da Presidência do Ipea, ao lembrar que alguns especialistas previam uma forte deterioração fiscal do governo federal, um crescimento modesto e até uma queda no Produto Interno Bruto (PIB), além do aumento do desemprego. A análise destaca que, entre as políticas públicas emergenciais, o mecanismo de zeragem da fila adotado pelo programa Auxílio Brasil mais do que compensou o aumento na demanda por programas sociais gerado pela Covid-19: até fevereiro de 2022, foram incluídas cerca de 3,5 milhões de novas famílias no novo programa social, e esse número vem sendo ampliado a cada mês.

“Estratégias de erradicação da pobreza são o ponto de partida para a agenda de desenvolvimento socioeconômico”, pontuou o presidente do Ipea, Erik Figueiredo, autor da nota. Segundo ele, temas como a melhoria no desenho da política social atual, o hiato educacional entre alunos de escolas públicas e privadas, a qualidade do ensino remoto, a saúde física e mental das crianças, entre outros, devem assumir lugar de destaque no debate público, e a discussão contida no estudo é um passo inicial.

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