A falta que o absorvente faz

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Larina Rosa

Tivemos mais uma demonstração de que os direitos de mulheres não são prioridade no nosso país na última semana. O veto cruel do Presidente pela distribuição gratuita de absorventes para estudantes de baixa renda e pessoas em situação de rua, trouxe à tona um problema gigante e ainda pouco discutido, a pobreza menstrual.

O que pouca gente sabe é que meninas adolescentes faltam cerca 45 dias por ano por não ter acesso a absorventes. Situação que leva a evasão escolar e dificuldades futuras como a entrada em uma universidade ou no mercado de trabalho.

E antes que comecem a argumentar pretextos para controlar o ciclo de uma mulher, informo que existem adolescentes usando miolo de pão ou trapo em comunidades sem acesso a saneamento básico, suscetíveis a diversas infecções durante a menstruação.

Aqui no Brasil uma em cada quatro jovens já faltou aula por não poder comprar absorvente, esse número ultrapassa a estimativa da ONU que é uma a cada 10 adolescente.

O veto para a distribuição de absorventes íntimos é um atraso para a vida dessas meninas. Além dos problemas de saúde, o impedimento dos estudos provoca em sequência a dependência financeira delas.

A desculpa de não ter fonte de custeio para aprovação do projeto é mais demonstração que os assuntos ligados a elas pouco importam. Com boa vontade de ajudar a solicitação do valor acontecia e o benefício melhoraria a dificuldade delas.

Um ciclo menstrual costuma durar de cinco a sete dias, gerando um gasto de R$10 a R$15 por mês apenas com absorventes. É por esse valor que milhares de meninas estão deixando de ir para aula e ficando cada vez mais distante da equidade de gênero.

Em Porto Velho o Prefeito anunciou um projeto de lei que busca viabilizar a distribuição de absorventes íntimos femininos a adolescentes de baixa renda de toda a rede escolar da capital, mostrando que com boa vontade é possível ajudar na dificuldade delas e ao mesmo tempo incentivar outras prefeituras a seguirem o mesmo modelo.

O descaso com as ações que devolvem a dignidade delas demonstra o quanto nossos direitos continuam sendo negligenciados e quanto ainda temos de lutar pelo mínimo.

A autora é jornalista

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