Pesquisa do IBGE mostra Centro-Oeste com maior percentual de acesso à internet

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Foto: Valor&Mercado RO

Em 2022, entre as 185,4 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade do país, 87,2% (ou 161,6 milhões) utilizaram a Internet no período de referência (últimos três meses anteriores à entrevista), ante 84,7% em 2021. É o que mostra o módulo Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgado hoje pelo IBGE.

Na área rural, o percentual era menor, mas vem crescendo: começou em 33,9% em 2016, na primeira edição da pesquisa, passou para 67,5% em 2021 e atingiu 72,7%, em 2022. “A proporção de pessoas que utilizam a internet cresce desde o começo da pesquisa, inclusive na área rural. No entanto, ainda se nota uma diferença grande frente às áreas urbanas, mesmo que essa diferença venha se reduzindo ao longo do tempo”, ressalta o analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto.

A região com maior percentual de usuários da internet segue sendo o Centro-Oeste, influenciado pelo Distrito Federal, que tem a maior proporção (96,6%) de usuários entre as 27 Unidades da Federação. As regiões Norte (82,4%) e Nordeste (83,2%) permaneceram com os menores resultados, mesmo apresentando as maiores expansões entre 2021 e 2022: 6,1 pontos percentuais (p.p.) e 5,1 p.p., respectivamente.

Entre as pessoas sem instrução, 39,4% acessaram a internet, percentual bem inferior ao dos demais grupos de escolaridade, como as pessoas com ensino superior incompleto (98,7%) e com superior completo (98,2%).

Percentual de idosos que utilizam a Internet segue aumentando e chega a 62,1%

As crianças e os idosos são os grupos etários com menor percentual de pessoas que utilizaram a Internet em 2022. O grupo etário de 10 a 13 anos registrou 84,9%, e esse percentual cresce sucessivamente até alcançar o pico de mais de 96% de usuários nos grupos de 20 a 24 anos e de 25 a 29 anos. Daí em diante, a proporção de usuários de Internet cai a cada grupo etário, chegando em 62,1% entre as pessoas de 60 anos ou mais.

Ainda que o uso da Internet venha crescendo em todos os grupos, o crescimento foi mais acelerado entre os idosos, com 60 anos ou mais de idade. Em 2016, a proporção de idoso que usavam a internet era de 24,7% subindo para 62,1% em 2022. “Esse aumento pode ter sido propiciado, entre outros fatores, pela evolução nas facilidades para o uso dessa tecnologia e na sua disseminação no cotidiano da sociedade. É um grupo que tem avançado bastante na utilização da Internet”, explica Geaquinto.

maior percentual de idosos utilizando a Internet estava no Centro-Oeste (69,4%) e o menor, no Nordeste (51,3%). Entre as UFs, o Distrito Federal (82,2%) foi líder, seguido pelo Rio de Janeiro (72,3%), Roraima (71,6%) e São Paulo (70,6%). No fim da lista, Paraíba (48,7%), Maranhão (46,4%) e Piauí (45,9%).

Estudantes utilizam mais a Internet, com diferenças entre rede privada e rede pública

Em 2022, 92,2% dos estudantes afirmaram utilizar a Internet, ao passo que entre não estudantes esse percentual foi de 85,9%, aumento nos dois recortes em comparação com 2021. “Quando se considera a rede de ensino, observam-se importantes diferenças no uso da Internet por parte dos estudantes”, aponta Geaquinto. Enquanto 98,4% dos estudantes da rede privada utilizaram a Internet em 2022, esse percentual entre os estudantes da rede pública de ensino foi de 89,4%.

O Norte (84,0%) foi a única região em que o percentual de usuários da Internet entre os estudantes ficou abaixo de 90%. Os maiores percentuais foram observados no Sudeste (94,7%) e no Centro-Oeste (94,5%). Regionalmente, houve diferença entre rede privada e rede pública. No Norte e Nordeste, o percentual de estudantes da rede pública que utilizaram a Internet foi de 80,1% e 87,7%, respectivamente, enquanto nas demais regiões esse percentual variou entre 91,6% a 92,4%. Já quando são considerados apenas os estudantes da rede de ensino privada, o percentual de uso da Internet ficou acima de 97% em todas as regiões.

O meio de acesso à Internet indicado pela grande maioria das pessoas foi o telefone móvel celular (98,9%). Em seguida, mas com considerável diferença, aparece a televisão. Desde o começo deste módulo da PNAD Contínua, o número de pessoas que utilizam a Internet pela TV vem crescendo em ritmo acelerado. Saiu de 11,3% em 2016 para 32,2% em 2019 até chegar a 47,5% em 2022. Já o microcomputador segue trajetória reversa: em 2016, o percentual de respostas era de 63,2%, passando para 46,2% em 2019 até chegar nos 35,5% de 2022. O tablet também vem caindo: de 16,4% em 2016 para 7,6% em 2022.

Considerando a condição de estudante, a pesquisa mostra algumas diferenças, embora, entre os estudantes, ainda haja um maior uso da televisão (53,2%), também apresentam maior percentual para microcomputador (45,8%) e para tablet (10,7%), quando comparados aos não estudantes. “No entanto, mesmo entre os estudantes, a utilização de microcomputador e tablet para acessar a Internet vem caindo ao longo dos anos”, salienta o analista da pesquisa.

Mais uma vez, há diferenças significativas no uso dos equipamentos entre estudantes da rede pública e da rede privada. Enquanto 75% dos estudantes da rede privada acessavam a Internet pelo microcomputador, esse percentual foi de apenas 31,2% entre os estudantes da rede pública.

O uso da televisão para acessar a Internet ocorria para 68,8% dos estudantes da rede privada, sendo este percentual uma vez e meia o apresentado entre estudantes da rede pública (45,4%). No uso do tablet, a diferença chegou a quase três vezes: 18,4% na rede privada e 6,8% na rede pública.

A PNAD Contínua investigou, pela primeira vez em 2022, a frequência com que as pessoas normalmente utilizavam a Internet. Entre quem utilizou, 93,4% usavam de forma habitual todos os dias; 2,7% utilizavam quase todos os dias (cinco ou seis dias por semana); 3,2% de uma a quatro vezes por semana; e apenas 0,7% utilizavam com uma frequência inferior a uma vez por semana. Entre as grandes regiões, o menor índice de frequência diária era para o Norte (89,2%) e o maior para o Centro-Oeste (95,0%).

Também para essa edição, a PNAD Contínua ampliou a investigação sobre a finalidade do acesso à Internet, adicionando novos itens a serem pesquisados, como usar redes sociais, ouvir músicas, rádio ou podcast e ler jornais, notícias, livros ou revistas, entre outros.

O percentual de pessoas que acessaram a Internet para chamadas de voz ou vídeo foi a finalidade mais informada, alcançando 94,4% dos usuários, uma queda de 1,3 p.p. em comparação com 2021. Em seguida foi enviar ou receber mensagens de texto, voz ou imagens por aplicativos diferentes de e-mail, com 92,0%, uma queda de 2,9 p.p. em relação a 2021.

Outras finalidades de uso apontadas pela maioria dos usuários: assistir a vídeos, inclusive programas, séries e filmes (88,3%); usar redes sociais (83,6%); ouvir músicas, rádio ou podcast (82,4%); ler jornais, notícias, livros ou revistas pela Internet (72,3%); acessar banco ou outras instituições financeiras (60,1%); e enviar ou receber e-mails (59,4%). Entre os destaques, a resposta “jogar” apareceu para 32,4% das pessoas, com diferença marcante entre homens (39,0%) e mulheres (26,3%).

Entre os estudantes, as principais diferenças se referiam ao uso da Internet para jogar, muito maior entre os que estudam (60,2%) e acessar bancos ou outras instituições financeiras, consideravelmente menor (40,6%). “Tais diferenças podem ser explicadas pelo próprio perfil etário desses grupos, uma vez que os estudantes são, em média, mais jovens, e por isso, têm hábitos de utilização da Internet mais específicos”, justifica Geaquinto.

8,9% dos usuários acessaram a Internet gratuitamente em instituições públicas de educação

Também pela primeira vez, esse módulo da PNAD investigou o acesso gratuito à Internet (Wi-Fi) em alguns locais públicos. Dentre os locais investigados, 8,9% das pessoas que utilizaram a Internet afirmaram ter acessado o serviço gratuitamente em escolas, universidades ou bibliotecas públicas; 5,2%, em estabelecimentos públicos de saúde, como postos de saúde e hospitais públicos; e 5,5%, em praças ou parques públicos.

Regionalmente, para os três tipos de locais públicos pesquisados, o destaque foi a Região Sul, que apresentou os maiores percentuais de acesso gratuito à Internet: 11,7%, 7,9% e 8,1%, respectivamente.

No País, entre os estudantes da rede pública que utilizaram a Internet no período de referência, 26,7% acessaram o serviço de forma gratuita em escolas, universidades ou bibliotecas públicas, com a Região Sul também apresentando o maior percentual (35,5%).

Idosos e pessoas com menos instrução são maioria entre os que não utilizaram a Internet

Entre 185,4 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade, 12,8% afirmaram não ter utilizado a Internet no período de referência. A maioria desse grupo era constituído por pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto (78,5%) e com 60 anos ou mais (52,3%).

Entre os motivos, não saber usar a Internet (47,7%) e a falta de necessidade (23,5%) apareciam com maior percentual. Os motivos seguintes foram de razão econômica (serviço de acesso à Internet era caro, bem como equipamento eletrônico necessário era caro) que, juntos, somavam 16,2%.

O percentual de pessoas não utilizava a internet devido ao serviço não estar disponível foi mais elevado na Região Norte (9,7%) e na área rural (8,0%) do que a média nacional (3,6%).

Mais sobre a pesquisa

O módulo de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD Contínua analisa, desde 2016, o acesso à Internet e à televisão e a posse de telefone móvel celular para uso pessoal, com detalhamento geográfico para Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação. Acesse o material de apoio e a publicação completa para mais informações.

Fonte: IBGE

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