A presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH), senadora Damares Alves (Republicanos-DF), e o senador Plínio Valério (PSDB-AM) concluíram na última sexta-feira (26.09.25) diligência nos municípios de Humaitá e Manicoré, no Amazonas. Os parlamentares apuraram denúncias de abusos cometidos durante operações da Polícia Federal (PF), feitas na semana passada, que teriam resultado na destruição de flutuantes, balsas e dragas utilizadas por garimpeiros familiares. A operação teria colocado em risco o meio ambiente e a segurança da população.
Damares e Plínio ouviram as denúncias de prefeitos, vereadores, conselhos tutelares, cooperativistas e moradores desabrigados, que relataram supostas violações de direitos humanos contra trabalhadores, idosos e crianças. Os senadores reuniram dados sobre as denúncias, e relatório sobre a diligência será encaminhado ao Senado.
Em entrevista, Damares avalia que a situação na região é de “caos”. Ela criticou a falta de sensibilidade da PF, que promoveu a operação em Manicoré no dia em que a população estava reunida em comemoração no dia da padroeira da cidade, Nossa Senhora das Dores (15 de setembro), e salientou os prejuízos sofridos por Humaitá.
” A dignidade da cidade foi ofendida quando se passou uma mensagem para o Brasil inteiro que naquela cidade só tinha bandido. Ali temos um povo de bem, um povo trabalhador, que estava muito triste”, disse.
Damares ainda lembrou que as ações da PF levaram à interrupção das aulas e a uma retração da economia nas cidades atingidas, e criticou os argumentos ambientais a favor da repressão ao garimpo — segundo ela, a operação causou poluição do ar pela fumaça e derramamento de combustível e metais pesados.
Autor do requerimento de diligência externa, Plínio declarou que a “atrocidade” da PF deve ser denunciada a organismos internacionais. Ele defendeu projeto de lei para a regulamentação — já prevista na Constituição — do extrativismo mineral familiar.
“Tudo isso só vai parar quando legalizar. Não adianta: foram lá e explodiram [os flutuantes], mas eles já estão tirando do fundo e vão fazer de novo. […] A gente levou esperança e incentivou a luta: pedimos que não desistam, pois estamos do lado deles”.
Plínio acrescentou que, segundo as denúncias, as operações teriam sido recomendadas pela ONG Greenpeace, o que configuraria um atentado à soberania do Judiciário brasileiro.
“Esses órgãos ambientais nacionais e estrangeiros ditam as regras para as decisões do Ministério Público. Não enxergam os milhões de amazônidas como gente, que tem direito a comer e sobreviver”, concluiu.
Fonte: Agência Senado








