Prefeito da Capital alerta omissão do Estado em medicamentos exclusivos

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Solano Ferreira

A entrevista concedida na manhã de sexta-feira (19), pelo prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, acende uma nova luz vermelha para o enfrentamento à Covid-19 na Capital. Segundo declarou, não há medicamentos na rede pública municipal para atender a demanda crescente de casos da doença. Acredita que na próxima semana haverá colapso total, uma vez que encerra a semana com medicação apenas para quem está internado.

Hildon chegou a apelar ao governador Marcos Rocha, que se diz amigo pessoal do presidente Jair Bolsonaro, que “efetivamente distribuía medicamentos para os 52 municípios em quantidade e diversidade”. O desespero do prefeito da capital e de outros prefeitos que também estão sem medicamentos em seus municípios é que, alguns fármacos utilizados no tratamento da Covid-19, são fabricados exclusivamente para o Ministério da Saúde, como é o caso da cloroquina.

Dessa forma, mesmo havendo dinheiro, as prefeituras não conseguem adquirir. Somente uma gestão do estado junto ao governo federal para conseguir os medicamentos em quantidade para atender as unidades de saúde. Os prefeitos acreditam que o governo estadual está falhando no planejamento. Se as contaminações e mortes vem crescendo, com bases nos dados, o executivo estadual deveria com antecedência promover a aquisição ou a solicitação diretamente ao Ministério da Saúde.

Parece que o prefeito de Porto Velho tem mesmo razão. O governo estadual tem demonstrado total descontrole da situação desde o início da pandemia. Até o momento foi uma avalanche de diz e desdiz; faz e desfaz. Uma sucessão de amadorismo político e de gestão pública capaz de elevar o número de mortes muito além do que estava previsto para a capital e para o estado. Sem oposição e ignorando os outros poderes, e sem demonstrar habilidades para o enfrentamento ao problema, a equipe do governo rondoniense conseguiu o mérito de colocar Porto Velho como o novo epicentro da Covid no Brasil.

  • O autor é jornalista e editor-chefe do Diário da Amazônia
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