Preço elevado da vacina e os rumores que abalam o governo

Esse fato novo seria mais uma revelação que confronta a forma como a pandemia vem sendo conduzida

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Apesar do governo federal anunciar que não pagou pela compra e que a negociação será cancelada, o caso da vacina indiana Covaxin caiu sobre Brasília causando grande estrondo. O deputado da base governista Luis Miranda (DEM-DF) chegou a falar em alto e bom tom que ‘derrubaria a República’, conforme declarou o presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz, ao justificar o requerimento para que Miranda fosse depor na CPI. O motivo de tanta tensão seria a compra superfaturada vacina produzida na Índia. Causou estranheza também a rapidez como o negócio foi fechado com o laboratório indiano, diferente das negociações anteriores com outros laboratórios.

No início da tarde de quinta-feira (24), o deputado Luis Mirada pediu à CPI as prisões do ministro Onyx Lorenzoni (Secretaria-Geral da Presidência) e do assessor da Casa Civil, Élcio Franco, alegando que essas autoridades estariam fazendo ameaças. O deputado diz que teria alertado o governo sobre os preços superfaturados. Chegou a mostrar trechos de conversas que teve com a assessoria do presidente da República, Jair Bolsonaro.

Esse fato novo seria mais uma revelação que confronta a forma como a pandemia vem sendo conduzida. A compra de vacina é necessidade urgente, mas precisa estar dentro da coerência de preços. Nada justifica a diferença exorbitante do negócio em comparação aos preços praticados pelos demais laboratórios que também produzem imunizantes contra a Covid-19.

A denúncia veio no momento em que a CPI da Covid buscava algo para apimentar os depoimentos que levarão ao relatório final. Caso o deputado denunciante sustente o que já falou previamente e mostre as provas que prometeu mostrar, não apenas o governo, mas o próprio presidente Jair Bolsonaro ficará em situação delicada.

Essa semana fechará com mais um fato de grande dimensão que pode elevar o desgaste do governo, que atingiu nessa semana pouco mais de 50% de rejeição. A vacina que poderia melhorar os índices do governo, deve provocar mais um arranhão na margem de rejeição.

O autor é Editor-Chefe do Diário da Amazônia. Comunicador Social e Marketing/ Mestre em Geografia. Atua na Gestão Estratégica e Gerenciamento de Crise.

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