Pré-campanhas ao governo começam com representações na Justiça Eleitoral

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Plenário do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RO). Foto: Valor&MercadoRO

Vale-Tudo Eleitoral

O que deveria ser o aquecimento natural das pré-campanhas eleitorais de 2026 começou com uma verdadeira enxurrada de representações na Justiça Eleitoral. O prenúncio é claro: a disputa pelo governo de Rondônia promete ser uma das mais litigiosas dos últimos tempos. Escritórios de advogados triplicaram as atenções e passaram a monitorar os “passos” dos políticos nas redes sociais e grupos de WattsApp.

Abrindo a temporada pré-eleitoral

O primeiro alvo foi o pré-candidato ao governo, o ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, e o pré-candidato a vice-governador, deputado estadual Cirone Deiró, ambos do União Brasil. O Partido Liberal (PL) protocolou na quarta-feira (15.04) representação por propaganda eleitoral antecipada, acusando a dupla de ter publicado, em collab nas redes sociais, um vídeo com pedido explícito de voto disfarçado pelas famosas “palavras mágicas” — aquela linguagem dissimulada que a jurisprudência do TSE já cansou de condenar.

Um dia de fúria e do Adailton

No dia seguinte, o PL voltou à carga total. Desta vez, o alvo foi o ex-prefeito de Cacoal, Adailton Fúria (PSD), e pré-candidato ao governo. Uma representação por campanha antecipada questionou um vídeo com jingle associado ao político, que, segundo o partido, configuraria pedido claro de voto ainda na fase de pré-campanha. O TRE-RO já determinou a retirada do conteúdo do ar em decisão liminar.

Bruno Bolsonaro

Outra representação desembarcou essa semana no TRE contra o pecuarista Bruno Scheid, pré-candidato ao Senado pelo PL. O advogado Caetano Neto questiona o uso recorrente do “apelido” Bruno Bolsonaro em aparições, divulgações e anúncios. Segundo o advogado, em todas as aparições, apresentação, divulgação e anúncios, faz uso de “apelido” Bruno Bolsonaro” utilizando de sobrenome por candidato que não o detém.  

Gargalo dos partidos políticos

Enquanto os pré-candidatos brigam por espaço nas redes, os partidos revelam um amadorismo preocupante na gestão de prestação de contas. Erros primários e repetitivos na prestação de contas junto à Justiça Eleitoral têm bloqueado a transferência de recursos do fundo partidário — dinheiro público, vale lembrar.  O que chama atenção não é apenas a incompetência técnica, mas a repetição sistemática dos mesmos deslizes. 

Casa da mãe Joana

A maioria das irregularidades detectadas envolve falta de documentação comprobatória de serviços supostamente prestados. Contratos genéricos, ausência de notas fiscais, falta de descrição clara do que foi pago com recursos públicos — um verdadeiro “caos controlado” que compromete a transparência e abre brechas para questionamentos sobre o destino real do dinheiro do contribuinte.

Ficha suja 

A Justiça Eleitoral segue à caça interminável de um influente político da região da Zona da Mata, devedor de mais de R$ 1 milhão em dívidas de campanhas anteriores. O “mau pagador” tem se mostrado difícil de ser encontrado pelo oficial de justiça. 

Mercado Livre!

A estratégia agora é tentar notificá-lo durante as convenções partidárias de agosto. Se não der certo, cogita-se até usar táticas criativas — como as empregadas pela Polícia de São Paulo no Mercado Livre para localizar traficantes. O episódio expõe, mais uma vez, a cultura de impunidade que ainda persiste em parte da política rondoniense.

Mestre dos magos de Jaru

Ainda pendente desde as eleições de 2020, o prefeito de Jaru, João Gonçalves Filho, aguarda o desfecho na Justiça Eleitoral de um processo de notícia-crime por difamação eleitoral contra o ex-deputado estadual Amauri dos Santos. Diversas tentativas de audiência de conciliação fracassaram pela impossibilidade de localizar o requerido. O caso deve entrar na pauta após o feriado de Tiradentes.

Redação Valor&MercadoRO

Texto: Marcelo Freire

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