O PT e os partidos de esquerda se dividiram ainda mais

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Ex-senadora Fátima Cleide, no colo dos militantes. decidiu na disputar as eleições neste domingo. Foto: Roni Carvalho/Diário da Amazônia

Faísca atrasada

O Brasil não vive sem novelas. Por mais que na TV elas estejam repetitivas – e se repetindo – na política elas rendem votos e por isso não levam jeito de um dia terminar. Além da rede de intrigas em torno do Banco Master, em que os acusados no governo e na oposição tentam aparentar ser menos culpados que os adversários, cresce de intensidade a novela em torno das terras raras. 

Novela que, na verdade, não começou agora, pois desde o Império, em 1886, já se fazia com estardalhaço a extração de monazita nas praias da Bahia. A questão é se elas serão controladas pelo Estado brasileiro ou por interesses estrangeiros. Envolvidos nas mesquinharias da polarização, nem “esquerda” nem “direita” deram conta no governo de perceber que o Brasil tem a segunda maior reserva de TRs do mundo, só atrás da China, que tem nelas a arma nada secreta de sua explosão de progresso. 

O que deveria ter sido feito nos últimos 50 anos só agora volta à cena, e o atraso nessa discussão se revela na Amazônia, onde a exploração das TRs começou sob controle estrangeiro. A empresa BBX do Brasil, subsidiária da australiana BBX, desenvolve seu projeto mineral em Apuí, no sul do Amazonas, isso depois que a mineradora Taboca, em Presidente Figueiredo, foi vendida para a chinesa CNMC, com foco na exploração de TRs. Como são projetos de longo prazo, com certeza a novela se estenderá no mínimo até a próxima década. 

 

Eleições 2026

Com a definição dos quatro principais candidatos ao governo de Rondônia, estão formados os blocos mais expressivos para a peleja 2026. O primeiro bloco é liderado pelo candidato do PL, senador Marcos Rogério, o nome ungido pela família Bolsonaro em Rondônia. O segundo bloco tem na cabeça de chapa o ex-prefeito de Porto Velho Hildon Chaves, da federação União Progressista, aliada ao Republicanos e PSDB. 3- No terceiro bloco está o candidato do PSD Adailton Fúria, que tem como força motriz o apoio do governador Marcos Rocha unido a legendas médias e nanicas e com a maior chapa e postulantes à Assembleia Legislativa. É o candidato chapa branca. 4- No quarto bloco temos postulante do PT Expedito Neto com os partidos da Caravana Esperança. 

Fazendo as contas

Enquanto se espera a confirmação de outras postulações nas convenções partidárias, como a de Samuel Costa do PSB já em campo, os agrupamentos políticos estão fazendo suas contas. O favorito nas pesquisas, o senador Marcos Rogério espera crescer ainda mais com o apoio do ex-presidente de Jair Bolsonaro e faturar a peleja em turno único. Existe a clara intenção dos demais candidatos estender as eleições a um segundo turno e então todos unidos levar a melhor sobre as forças bolsonaristas. As articulações seguem neste caminho. O governo Lula e o governador Marcos Rocha jogam com dois candidatos nesta eleição: Adailton Fúria (PSD) e Expedito Neto, do PT, que mais adiante podem se unir.

Esquerda conservadora?

O que se vê na campanha 2026 ao governo de Rondônia é uma esquerda bem rachada que pode se dividir mais ainda com um candidato da aliança MDB/PDT. Por este segmento de esquerda e centro esquerda temos as candidaturas do ex-deputado federal Expedito Neto, vestindo um traje conservador para se tornar palatável ao eleitorado de Rondônia, o postulante do PSB, Samuel Costa e o candidato do PSOL, Luís Carlos Teodoro. Os últimos dois mais identificados com os ideais de Lula e dos vermelhinhos já que o petista Expedito Neto afirma que o PT e os petistas são conservadores – o que deve ter revoltado os vermelhinhos rondonienses.

A ponteira

Nos meios políticos não se discute quem tem a ponteira na disputa pelo Cetro Político e Administrativo, o nosso glorioso CPA. A ponteira é do senador Marcos Rogério. A grande maioria dos candidatos – exceto Rogério que acredita em vitória em turno único – acreditam que teremos eleições em dois turnos e o nome que chegar a segunda etapa contra o postulante bolsonarista leva a melhor. Neste momento o postulante Hildon Chaves, liderando as intenções de votos na capital é o adversário mais provável de Rogério num eventual segundo turno. No entanto, a azeitada máquina do governador Marcos Rocha começa a entrar em campo, apoiando o ex-prefeito de Cacoal Adailton Fúria, o candidato chapa branca.

Chances reduzidas

Por enquanto as chances da esquerda e centro-esquerda nas eleições majoritárias em Rondônia estão bem reduzidas. Reduzido a pó pelo bolsonarismo nos últimos pleitos, o PT e os partidos de esquerda se dividiram ainda mais e com isto, sem competitividade com os postulantes de ponteira. Os partidos deste viés teriam alguma chance caso se unissem contra os candidatos da extrema direita e centro direita, mas fazem uma aposta. Mas os petistas acreditam que o presidente Lula conta com pelo menos 30 por cento dos votos em Rondônia e se isto for transferido para seu candidato local, Expedito Neto entra num previsível segundo turno.

 

Via Direta

*** Uma boa notícia na BR-319: a nova ponte sobre o rio Autaz Mirim deverá ser liberada para o tráfego já na semana que vem, conforme anuncio do senador Eduardo Braga (AM). Como se recorda, a ponte desabou devido uma cheia em 2022 *** Por falar na BR-319, que liga Porto Velho a Manaus, o tráfego é intenso e além as empresas de transportes de passageiros, como a Eucatur, os taxis lotação e vans lotação se jogam-no trajeto numa baita pirataria *** A candidatura do tal Bruno Scheidt ao Senado, que usa o nome do presidente Jair Bolsonaro em Rondônia não colou e dividiu as forças conservadoras. Desgaste para o segmento.

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