O leite tem importância para a economia regional

O Estado como meio regulador não tem correspondido no sentido de colocar limites entre as partes e manter o equilíbrio desse agronegócio.

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SOLANO FERREIRA

O mês de abril encerra sem pôr fim ao problema do leite em Rondônia. O assunto interessa a todos e não apenas aos produtores rurais. O consumidor final paga em média R$ 6,00 por litro do produto industrializado, enquanto que o litro é pago na propriedade à média de R$ 1,30. E não apenas isso. O leite é responsável por parte importante da economia regional, sendo o que impulsiona a economia nos pequenos municípios. O ‘cheque do leite’ é esperado com expectativas pelos produtores e pelos comerciantes, a toda início de mês.

Ao bem da verdade, nunca foi dado o devido respeito a essa cadeia produtiva no estado. Pelo menos a duas décadas, os produtores vivem a peleja contra as empresas de laticínios. A prática de tabelamento de preços nivelando para baixo é antiga. O pior é a surpresa de receber valores abaixo do esperado sem qualquer comunicado. O produtor cria o gado, retira o leite e vende, mas a parte de venda as empresas têm o controle total da situação. Fazem o que bem entende.

O Estado como meio regulador não tem correspondido no sentido de colocar limites entre as partes e manter o equilíbrio desse agronegócio. Essa insegurança está provocando a mudança de culturas. Basta observar os números de rebanho que estagnou nos 14 milhões de reses e não cresce. Alguns produtores optaram pelo semi-confinamento para venda para o abate, e outros estão destinando áreas que eram de pecuária para a produção de monocultura e lavouras de café e cacau.

Se não houver ações concentradas no sentido de salvar a pecuária leiteira em Rondônia, por falta de produto, indústrias de laticínios fecharam as portas e os comércios nas pequenas cidades não absolverão a mão-de-obra dispensada. Ainda quebrará o ciclo de negócios até aqui sustentados pela pecuária leiteira e comprometerá outros segmentos aliados.

Para um crescimento econômico pleno, o estado não pode ficar girando de ciclos em ciclos, mas necessita de programas e políticas públicas consistentes que possam fortalecer o setor rural com suas diferentes e vocações, apostando na diversidade sem eliminar esse ou aquele negócio.

O AUTOR É JORNALISTA

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