O argumento da legítima defesa da honra por réus de feminicídio

Até então as vidas dessas mulheres não valiam nada perto da honra abalada desses homens?

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LARINA ROSA

Ainda vivemos em uma sociedade patriarcal, (dominada por homens), que tenta justificar a todo o custo os mais absurdos argumentos para agressões e mortes de mulheres. Tanto é que até na semana passada os homens que se sentiam traídos e se julgavam legitimados a defender sua honra através de crimes contra suas companheiras recebiam penas mais leves ou eram livrados de condenações.

Isso acontecia porque os advogados invocavam a “defesa da honra”, e usavam o argumento para livrar homens agressores em casos de feminicídio.

Apenas na semana passada o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por unanimidade não ser mais possível a absolvição de réus pelo júri em casos da legítima defesa da honra em casos de feminicídio.

Quer dizer que só a partir de agora não será mais admissível a defesa de agressões e mortes de mulheres para homens que as consideravam donos.

Só agora os assassinos de mulheres deixaram de justificar que as mortes delas, seja por serem consideradas adúlteras ou porque que fugiram do seu controle desejado ocorreram para defender seu constrangimento ou insatisfação.

Só agora o Brasil com o elevado número de feminicídios, um dos líderes de casos registrados entre outras nações mundiais deixou de acatar o argumento de defesa da morte de mulheres em situações em que homens se sentiram com a honra afetada. Até então as vidas dessas mulheres não valiam nada perto da honra abalada desses homens?

Mesmo que tarde, se atitudes como a do Supremo não se tornarem recorrentes a cultura de violência contra mulheres no Brasil será perpétua no nosso país. Todos os dias mulheres são punidas e até mesmo perdem a vida por violências que sofrem.

A proibição da legítima “defesa da honra” usada para julgar crimes intencionais contra mulheres, pode ser um começo para despertar o interesse em permitir as mulheres o único bem que todos têm e que derivam de todos os demais: a vida.

A AUTORA É JORNALISTA

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