Mulheres não são inimigas

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LARINA ROSA

Além de lidar com situações que exigem respeito pela igualdade de gêneros, direito ao próprio corpo e responsabilidades familiares que ainda não são divididas, as mulheres ainda precisam lidar com um mecanismo de defesa tão antigo que nos mantém longe uma das outras, a rivalidade feminina. Essa competição não é culpa nossa, ela foi incentivada em uma sociedade dominada por homens como uma forma de manipular e provocar a sensação que não podemos apoiar as nossas semelhantes.

Em uma época em que não podia trabalhar, a mulher se restringiu ao marido e aos filhos, pois sem o casamento ela não garantia o seu lugar na sociedade. E para conseguir estar em um papel respeitado ela precisou seguir a cartilha imposta do tempo. Desde então foi estimulada a ser bela e desejável, melhor mãe, que cuida de tudo e que faz sempre mais que outra. Assim surgiu o culto à estética e essa obrigação de estar sempre impecável que faz com que nós mulheres julgamos as outras como concorrentes o tempo todo.

Por conta dessa rivalidade as mulheres preferem chefes homens porque não gostam de ser comandadas por outras mulheres. Ou seja, se for para ser chefe tem que ser ela e nunca a colega de trabalho. Outras não gostam de trabalhar com mulheres, quer dizer que preferem trabalhar com homens porque julgam eles mais profissionais que elas. Culpar uma mulher pela roupa usada ou pelo fim de um relacionamento é o que mais a gente vê mulheres fazendo, dizer que a atual do ex não é tão boa quanto você é a forma que aprendemos como pensar e reagir.

Precisamos entender que a colega de trabalho, do curso ou a atual do ex não é sua inimiga. São apenas mulheres que também precisam dos mesmos direitos que você e eu. Elas precisam ser ouvidas e respeitadas em suas escolhas assim como você. Ninguém está pedindo para amar todas as mulheres, mas sim entender que a outra compartilha das mesmas dificuldades de gênero que você e entender que a competição apenas nos afasta dos nossos objetivos em comum.

Existe até uma palavra para definir essa ação, chama-se sororidade, acontece quando uma mulher oferece solidariedade e apoio mútuo a outras mulheres.

Desconstruir a ideia que a outra é uma ameaça é necessário para identificar incômodos e preconceitos que podem ser combatidos em um mundo machista. Já somos julgadas suficiente em uma sociedade dominada por homens, por que ainda insistimos em competir com quem também passa pelos mesmos preconceitos que tanto lutamos? Não seria mais fácil tentarmos juntas? Entender que as nossas dificuldades não são só nossas é compreender que juntas temos o poder da mudança.

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