Mudança de Alfândega pode desconstruir todo investimento bilateral

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SOLANO FERREIRA

Em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa para discutir a instalação de Alfândega para a integração comercial entre Brasil e Bolívia, surgiu a proposta de fazer essa estrutura em Costa Marques, região do Vale do Guaporé. O Assunto rendeu muitas discussões e, brasileiros e bolivianos que residem e investem no Vale do Mamoré, apelaram de forma veemente para essa Alfandega seja construída em Guajará Mirim, considerando que desde o surgimento da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, os dois países se integram por essa via e tem ampla infraestrutura pronta faltando apenas a instalação da alfandegamento para que as relações comerciais possam ser impulsionadas com importações e exportações.

O apelo de manter a integração através de Guajará Mirim (Brasil) e Guayaramenrin (Bolívia) diversas razões de verdade. Entre tantos motivos podemos destacar a infraestrutura de rodovias nos dois países com asfalto e cidades estruturadas. Já na região de costa Marques, o que existe [é um carreador precário e a Bolívia não dinheiro para fazer a curto prazo uma nova infraestrutura estrada asfaltada cruzando um pântano. Os bolivianos já informaram que não tem recursos para isso e nem para mudar todos os portos e cidades para a outra região.

Nem precisa discutir muito para entender que é inviável, pelo menos neste momento e nas próximas décadas, mudar a estrutura para outro lugar. Não interessa aos dois países. Tudo já está pronto faltando apenas a Alfandega Brasileira e a ponte que fará a interligação via rodoviário, evitando o transtorno da travessia por balsas.

O que querem fazer em Rondônia assemelha com o alto investimento feito no Amazonas construindo uma enorme e bela ponte ligando Manaus a lugar nenhum. É preciso ter esse exemplo como modelo para evitar de montar uma super estrutura alfandegaria num lugar onde não possui infraestrutura para o transporte. Importação e exportação requer eficiência em logística de forma que possa ter as condições necessárias aos transportes. A Alfandega não é para turismo e sim para comercio exterior.  Isso deve ser determinante para a decisão de onde montar e fazer esse investimento.

O AUTOR É JORNALISTA

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