Lula critica sanções dos EUA e “extrema direita” internacional na abertura da Assembleia Geral da ONU

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Presidente Lula discursa na reunião da ONU. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (23) com críticas às sanções dos Estados Unidos e a forças políticas que considera antidemocráticas. “Em todo o mundo, forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades, cultuam a violência, exaltam a ignorância, atuam como milícias físicas e digitais e cerceiam a imprensa”, afirmou o presidente.

Lula afirmou que o Brasil deu um recado sobre a defesa da democracia, em referência à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos autocratas”, disse.

O presidente brasileiro disse que os ideais da ONU, fundados após a Segunda Guerra Mundial, “se veem ameaçados como nunca antes na sua história” e criticou o que chamou de “ataques contra a soberania, sanções arbitrárias e uma tendência crescente a intervenções unilaterais”.

Sobre o contexto interno, Lula afirmou que o país “optou por resistir e defender sua democracia, essa democracia que havíamos recuperado há 40 anos por seu povo, depois de 20 anos de governos dictatoriais”. O presidente também comentou a condenação de um ex-chefe de Estado, dizendo: “Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil. Não há pacificação com impunidade. Há poucos dias, e pela primeira vez em 525 anos de nossa história, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado democrático de direito. Foi investigado, indiciado, julgado e responsabilizado pelos seus atos em um processo minucioso. Teve amplo direito de defesa, prerrogativa que as ditaduras negam às suas vítimas.”

No âmbito internacional, Lula disse que América Latina e Caribe devem permanecer como “zona de paz”, ressaltando a ausência de conflitos étnicos ou religiosos e de armas de destruição em massa. “Seguiremos como nação independente e como um povo livre de todo tipo de tutelagem”, afirmou.

O presidente alertou sobre o uso desproporcional da força em conflitos internacionais e mencionou a diferença entre a luta contra o terrorismo e o combate ao narcotráfico: “A maneira mais eficaz de lutar contra o narcotráfico é cooperar para reprimir o lavagem de dinheiro e constreñir o comércio de armas”.

Fonte: Gazeta Brasil

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