Lixo: empresa que Porto Velho estuda contratar acumula crises em outras cidades

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Foto: Felipe Quintela/Itatiaia

Com histórico de paralisações, denúncias de precariedade, conflitos trabalhistas e
notificações administrativas, a Sistemma — empresa analisada pela Prefeitura de Porto
Velho — entra no centro do debate público sobre continuidade do serviço essencial e
proteção dos trabalhadores da limpeza urbana.

A empresa que a Prefeitura de Porto Velho pretende contratar para a coleta de resíduos,
a Sistemma, chega ao debate local sob forte contestação pública em diferentes cidades.
Não se trata de ruído isolado. Em sequência, surgem registros de paralisações,
reclamações sobre frota e condições de trabalho, além de notificações administrativas.
Em serviço essencial, esse conjunto de sinais costuma anteceder o mesmo desfecho:
interrupção da coleta, lixo acumulado, desgaste social e pressão política.

Em Belo Horizonte, essa empresa que Porto Velho estuda contratar ganhou manchetes
durante greve de garis que chegou ao terceiro dia, com adesão de centenas de
trabalhadores e acúmulo de resíduos em bairros da capital. No pico do impasse, foi
reportado acúmulo de até 1,6 mil toneladas de lixo. A crise expôs as falhas constantes
da empresa na operação e problemas trabalhistas, além de falhas logísticas em que a
cidade inteira sentiu o impacto em poucas horas e mergulhará no caos sanitário.

Foto: Lucas Franco/G1

Em Londrina, a Sistemma — a mesma empresa sob análise em Porto Velho —paralisou
a coleta nas regiões Leste e Sul. No episódio, a presidente do SIEMACO Londrina e
Região, Izabel Aparecida de Oliveira, afirmou que havia “cinco caminhões quebrados”
e fez um alerta direto sobre risco operacional: “Se o caminhão não está em dia, correm
perigo o motorista, os trabalhadores e as pessoas que estão na rua.” A cidade luta para
garantir por meio de notificações a operação e segurança dos trabalhadores com
denúncias de sucateamento e risco para quem trabalha na rua e para quem circula,
estando o município em problemas sérios operacionais.

Na mesma praça, novas reportagens relataram segunda paralisação no ano, com
cobranças por manutenção, EPIs e estrutura mínima de trabalho. O caso avançou para o
campo formal: no Jornal Oficial de Londrina (edição 5.554), constam notificações à
Sistemma para possível aplicação de sanção administrativa em procedimentos ligados à
coleta e varrição, mostrando a incapacidade de gerenciamento e execução de serviços de
coleta da Sistemma.

População insatisfeita

Em Pindamonhangaba, a Sistemma voltou ao centro de reclamações públicas, com
moradores apontando falhas recorrentes e percepção de serviço precário. Em Ibiporã,
também há registros de insatisfação com a qualidade da coleta e com a regularidade da
operação. Em Unaí, após o início formal dos serviços, surgiram queixas públicas logo
na fase de implantação. O padrão se repete em cidades diferentes: onde há pressão sobre
frota, equipe e rotina operacional, crescem os relatos de má prestação e conflito na
ponta.

Em Porto Velho, portanto, o centro da discussão não é só quem assina o contrato, mas
se a cidade está prestes a importar um passivo já conhecido em outras praças. A
empresa que o município pretende contratar é a mesma que aparece associada, em
diferentes contextos, a denúncias de frota problemática, tensão trabalhista e falhas de
execução. E, quando esse ciclo se instala, o primeiro impacto recai sobre os garis; o
segundo, sobre a população.

As autoridades e todos os agentes envolvidos nessa contratação precisam agir com
máxima cautela para impedir a reprodução do caos operacional. Se os sinais já vistos
em outras cidades forem ignorados, Porto Velho corre o risco de transformar uma
decisão de gestão em novo colapso urbano, deteriorando a vida dos trabalhadores
envolvidas e da população mergulhada no caos e no lixo da cidade.

Fonte: Assessoria

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