Intensidade de fumaça mostra que o decreto não é cumprido

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Solano Ferreira

O Decreto do governo brasileiro proibindo queimadas em todo país virou um documento para gringo ver. O propósito seria resgatar a credibilidade do Brasil no exterior, devido a ampla repercussão negativa dos últimos anos, e reconquistar os bilionários recursos para o Fundo Amazônia, suspensos pelos patrocinadores internacionais. Acontece que os gringos têm olhos muito mais apurados do que quem vivem por aqui, e a tentativa de ocultar o problema é facilmente revelada pela intensa quantidade fumaça de queimadas principalmente na cobiçada Amazônia.

De um lado foi feito o edito governamental proibindo as queimadas; de outro lado, o mesmo governo fragilizou as instituições de fiscalização e combate à grilagem de terras, desmatamento ilegal e queimadas descontroladas. Para comprovar ver a olho nú ou via satélite a quantidade de focos de calor e vasta cobertura cinzenta formada pelas fumaças que se encontram e cobrem grande parte da região.

Atribuir as queimadas à tradição de indígenas e de pequenos agricultores de limpar áreas de cultivo, não convencerá o mundo, pois o volume de massa cinzenta no ar é típico de queimadas de grandes áreas recém desmatadas. Áreas de cultivo de populações tradicionais são pequenas parcelas de terras, já as grandes queimadas e incêndios florestais surgem muito mais de troncos queimados em áreas desmatadas recentemente.

Tudo indica que não será dessa vez que os gringos confiarão em enviar grandes fortunas para a preservação ambiental na Amazônia. O dever de casa deve ser paralelo com a evidencia de céu limpo, sem fumaça e fotos de satélites sem as manchas de fogo espalhadas em lugares onde antes eram o verde de florestas. O discurso precisa equipara com a prática e o Brasil precisa mostrar ao mundo que pode cuidar bem do seu patrimônio florestal, caso contrário virão sansões não apenas ao fundo de preservação, mas até mesmo para as grandes negociações do agro.

O autor é jornalista

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