Governo quer a retomada de investimentos do Fundo Amazônia, afirma diplomata

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O governo brasileiro deseja, a partir do aprofundamento das negociações com o governo da Noruega, a retomada dos investimentos não reembolsáveis do Fundo Amazônia, para o qual a nação escandinava contribui com 95% dos recursos. Foi o que garantiu o diplomata Enio Cordeiro durante sabatina na Comissão de Relações Exteriores (CRE) nesta segunda-feira (14), quando teve seu nome aprovado para chefiar a embaixada brasileira em Oslo, capital da Noruega.

— É um dos objetivos que têm o governo brasileiro e também o governo norueguês, possibilitar a retomada dos investimentos não reembolsáveis do Fundo Amazônia. Eles condicionam a retomada dos investimentos à redução substancial nas taxas de desmatamentos e incêndios na Amazônia. Nossa mensagem central é que a obstrução dos recursos acaba obstruindo projetos que são muito importantes pro desenvolvimento sócio-econômico, pro controle das queimadas e do desmatamento, e pro desenvolvimento sustentável de uma indústria florestal na Amazônia — esclareceu Cordeiro, detalhando que o fundo já disponibilizou mais de U$ 700 milhões em projetos ambientais.

Má imagem

O diplomata admitiu que o que mais atrapalha a relação do Brasil com a Noruega hoje é “a crescente vulnerabilidade da imagem externa brasileira, por causa do aumento das taxas de desmatamento e queimadas”. Com base em relatório do BNDES, Cordeiro mostrou a importância do Fundo Amazônia, que esteve ativo entre 2008 e 2018.

— O relatório deixa claro que 338 instituições foram beneficiadas pelo fundo. 190 unidades de conservação receberam recursos. Mais de 1,2 mil missões de fiscalização ambiental puderam ser realizadas graças ao Fundo Amazônia, e mais de um milhão de imóveis do Cadastro Ambiental Rural puderam ser regularizados. O fundo também financiou mais de 600 publicações científicas. É de se lamentar que esteja inativo — admitiu.

Trocas comerciais

O senador Carlos Fávaro (PSD-MT) foi o relator da indicação de Cordeiro. Ele destacou que o fluxo comercial entre Brasil e Noruega, em 2019, chegou a U$ 1,669 bilhão, aumento de 24,7% em relação a 2018. O superavit a favor do Brasil, em 2019, foi de US$ 468,3 milhões.

— As exportações para a Noruega chegaram a US$ 1,068 bilhão em 2019, aumento de 33,4% em relação a 2018. Os principais itens que exportamos são alumina calcinada, soja e café — detalhou Fávaro.

O senador também destacou que o Fundo Soberano da Noruega, o maior do mundo, tem investimentos em dezenas de empresas brasileiras, que alcançam US$ 12 bilhões. A Noruega aparece ainda como parceira preferencial do Brasil na exploração do pré-sal. E hoje cerca de 120 empresas norueguesas atuam em nosso país.

Durante a sabatina, Cordeiro citou que o Fundo Soberano da Noruega investe hoje, entre outras empresas, na Petrobras, nos bancos Itaú e Bradesco, na Ambev e na CSN. Por outro lado, retirou recentemente seus aportes na Vale, Eletrobras, JBS e Souza Cruz. A indicação de Cordeiro será agora analisada no Plenário do Senado.

Fonte: Agência Senado

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