É preciso quebrar a curva ascendente da doença

Se medidas mais rigorosas tivessem sido tomadas desde o início, quando ainda não havia a pandemia, não estaríamos vivendo hoje essa fase aguda da doença

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SOLANO FERREIRA

Demorou, mas enfim, o Ministério Público de Rondônia (MPE/RO) resolveu agir e deve recorrer à Justiça para pedir que o Governo do Estado adote medidas mais rigorosas em suas ações de combate à pandemia do novo coronavítus. Essa medida já se fazia necessária desde o ano passado, quando os casos de contaminação ainda estavam na fase inicial. Nesse ponto houve um vacilo enorme dos governos, tanto estaduais como municipais (do federal nem se fala), que esperaram a situação atingir o ponto crítico para depois agirem.

Se medidas mais rigorosas tivessem sido tomadas desde o início, quando ainda não havia a pandemia, não estaríamos vivendo hoje essa fase aguda da doença. Esperou-se ela avançar e matar cada vez mais e mais pessoas para depois se pensar em medidas restritivas para tentar conte-la.

E quando as medidas vieram, ainda eram brandas, o que fez com que tivessem pouco efeito no combate à pandemia, tanto que a Covid-19 não parou mais de se alastrar pelo país e pelo estado. Contribuiu também para isso, a desobediência civil liderada pelo presidente Jair Bolsonaro que estimulou as pessoas a não adotarem os cuidados e orientações defendidas por cientistas e pela OMS.

Desde então, a situação só evoluiu para pior e chegamos a esse momento crítico que colapsou o sistema de saúde de Rondônia, provocado pela falta de leitos para atender a crescente demanda de pacientes infectados. A saída foi pedir socorro a outros estados para que os doentes não ficassem sem atendimento.

E a situação só piora. Até quarta-feira (10), o estado já atingia 161.205 casos de Covid-19 e com 3.240 mortes. Para se ter a noção da situação grave que vivemos, só na última quarta-feira, 60 rondonienses perderam a vida para a Covid-19. Foi o segundo o segundo dia com o maior número de mortes desde o início da pandemia. Perde apenas para segunda-feira (8) que registrou 66 óbitos.

O número de novos casos também aumentou significativamente. Pulou de 741 em 10 de março para 1.721 na quarta-feira (8), um aumento de 132,25% em apenas 10 dias. Daí a necessidade de que medidas mais rigorosas sejam adotadas para quebrar a curva ascendente da doença em terras rondonienses.

O autor é jornalista

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