Direitos das mulheres e a ameaça de retrocesso

O pior de tudo é saber que o mundo inteiro acompanha a situação dessas mulheres, sem nenhuma ação para poupá-las do sofrimento.

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LARINA ROSA

Já imaginou se nós mulheres perdessemos os direitos de ir e vir, de se vestir, de estudar e de decidir as nossas vidas? É o que está acontecendo hoje em pleno século XXI com as mulheres do Afeganistão. Com a retomada do grupo extremista Talibã ao poder, elas estão sendo obrigadas a deixar o trabalho, não sair de casa e se vestir com restrições com a justificativa religiosa, não na idade média, mas hoje em agosto de 2021.

Parece até um episódio da assustadora série The Handmaid’s Tale, baseado no livro distópico O conto da Aia, de Margareth Atwood, onde as mulheres não têm direito e são divididas em categoria, cada qual com a sua função no estado. Mas é a realidade de milhares de mulheres que passam a ter a vida controladas por homens. A partir de agora aquelas que quebrarem as regras, serão humilhadas e espancadas em público pela polícia religiosa, sem qualquer defesa.

A atual situação dessas mulheres me faz pensar em como todas nós somos vulneráveis aos homens, quando eles estão no poder. E como temos medo de ser silenciadas com o pretexto de interpretação religiosa.

O pior de tudo é saber que o mundo inteiro acompanha a situação dessas mulheres, sem nenhuma ação para poupá-las do sofrimento. Cadê a organização internacional responsável por mediar conflitos entre países que dissemina a cultura de paz entre as nações nessas horas? Não vejo ações para defender o respeito aos direitos dessas mulheres. Elas estão sendo impedidas de viverem uma vida digna e enquanto isso assistimos.

Antes que comecem a religião muçulmana não é a vilã da história, já o talibã é um grupo extremista que não representa a maioria da comunidade islâmica.  O alerta é contra o grupo extremista que chegou ao poder e retorna com o retrocesso na vida de milhares de mulheres.

Como no livro da Margareth Atwood, o medo de viver o pesadelo que as mulheres afegãs estão vivendo é geral em todas nós. O patriarcado (estrutura que favorece os homens) continua deixando eles em posição de superioridade. Enquanto isso, assistimos sem o apoio deles os nossos direitos sendo levados.

Simone de Beauvoir disse para nunca esquecermos que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Segundo Simone esses direitos não são permanentes. Mas não queremos nos manter vigilantes durante toda a vida.

A AUTOR É JORNALISTA
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