Despidas das luzes, nua de seus sonhos

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JOEL ELIAS

De repente. Porto Velho perdeu o charme de outrora, aquele que tinha nesta época do ano, quando a cidade se enfeitava toda para receber o Natal. Era assim a capital de Rondônia há uns 10 anos. E vê-la à noite mostrando-se majestosa às margens do Madeira, com o brilho colorido de suas luzes natalinas, enchia de orgulho quem a tem como mãe.

Para vê-la desfilar com garbo sua beleza notívaga, pessoas de outros de municípios de Rondônia e até de outros estados para cá vinham com suas famílias para perpetuar o momento em imagem tiradas de um celular ou de uma Canon empunhada com destreza. Era assim a nossa cidade em um passado bem recente.

Mas com o passar do tempo, esse brilho pouco a pouco começou a ser ofuscado até se perder de vez na escuridão da noite que emoldurava a paisagem cintilante de ruas e avenidas coloridas que formavam corredores de brilho e beleza que nos faziam mais leves e nos tornava também mais harmônicos com o ambiente ao redor.

Era mágica ver a paisagem se transformando com o lusco-fusco, visão deslumbrante de uma cidade que surgia feito fênix, em meio a todas aquelas luzes. Nas ruas, esquinas jorravam cascatas de luzes que bailavam pela noite numa coreografia reluzente a chamar a atenção de todos.

Hoje. a caminhar por essas mesmas ruas à noite, percebe-se que perdemos o brilho e aquele atrativo de outra, vendo nossa cidade despida de suas luzes, nua de seus sonhos, numa paisagem onde a escuridão só traz temor e apreensão. Onde o medo rosna suas angustias pelas esquina, antes iluminadas que anunciavam a chegada de um tempo de esperança para todos. O anúncio do Natal.

O AUTOR É JORNALISTA

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