Desmatamento em Rondônia cai 49% e estado fica entre os que menos derrubaram floresta

No total, as terras indígenas registraram 32,25 km² de desmatamento de janeiro a agosto, o que corresponde a apenas 1,6% do registrado em toda a Amazônia.

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Queimadas ocorrem com frequência na reserva Soldado da Borrachada em 2024: Foto: MPRO
Levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazonia (Imazon), de janeiro a agosto de 2026, Rondônia registrou 51 km² de desmatamento. Foi o terceiro estado com menor área desmatada na Amazônia Legal no período, atrás apenas de Tocantins (10 km²) e Amapá (3 km²). Além disso, o estado apresentou uma queda de 49% em relação ao mesmo período de 2025.
Entre os estados, os que mais desmataram entre janeiro e agosto foram Pará, Mato Grosso e Amazonas. Juntos, eles somam 83% da derrubada registrada na região.

Estado Janeiro a agosto de 2025 Janeiro a agosto de 2026 Variação
Pará 437 624 43%
Mato Grosso 515 477 -7%
Amazonas 538 394 -27%
Acre 199 253 27%
Roraima 139 144 4%
Maranhão 62 97 56%
Rondônia 101 51 -49%
Tocantins 23 10 -56%
Amapá 1 3 200%

 

De acordo com o Imazon, a Amazônia Legal registrou a segunda menor área desmatada entre janeiro e agosto em oito anos, desde 2018. Foram derrubados 2.053 km² de floresta nos oito primeiros meses de 2026.

Apesar de ser 2% superior ao registrado no mesmo período de 2025, essa área foi 74% menor do que a desmatada em 2022, quando foram destruídos 7.943 km² de floresta, a maior área desde 2008. A menor área devastada da série histórica ocorreu em 2012, quando a Amazônia registrou 714 km² de floresta derrubada. “Olhar a série histórica é muito importante para entendermos que o Brasil já conseguiu reduzir significativamente a derrubada da floresta amazônica, mas ainda precisa de mais esforços para atingir a meta de desmatamento zero até 2030”, afirma Raíssa Ferreira, pesquisadora do Imazon.

Terras Indígenas registram apenas 1,6% do desmatamento

A meta brasileira de chegar ao desmatamento zero em 2030 pode ser atingida primeiramente nas terras indígenas da Amazônia, onde mais da metade dos territórios não registrou áreas de floresta derrubadas nos primeiros oito meses deste ano, de janeiro a agosto. Conforme dados do instituto de pesquisa Imazon, 246 terras indígenas tiveram desmatamento zero no período (63%), seguidas de 138 com derrubadas menores que 1 km² (35%) e apenas sete com desmatamento acima de 1 km² (2%).

No total, as terras indígenas registraram 32,25 km² de desmatamento de janeiro a agosto, o que corresponde a apenas 1,6% do registrado em toda a Amazônia. A segunda categoria territorial com menor devastação foi a de unidades de conservação. Nesses oito meses, as UCs registraram 192,8 km² de desmatamento, apenas 9% do registrado na região.

Número que poderia ter sido menor caso a derrubada fosse contida na Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, que registrou 75,19 km² de floresta destruída, o que representa quase 40% de toda a área desmatada nas 333 UCs da Amazônia. Entre as unidades de conservação, apenas 22 tiveram derrubada superior a 1 km² (7%), 93 inferior a 1 km² (28%) e 218 desmatamento zero (65%).

TIs com desmatamento superior a 1 km² entre janeiro e agosto de 2026

TI Estado Área desmatada (km²)
Cachoeira Seca PA 3,24
Porquinhos dos Canela-Apãnjekra (reestudo) MA 2,05
Sete de Setembro RO/MT 1,84
Trincheira/Bacajá PA 1,7
Andirá-Marau AM/PA 1,23
Yanomami AM/RR 1,21
Aripuanã RO/MT 1,02

UCs com desmatamento superior a 1 km² entre janeiro e agosto de 2026

UC Estado Área desmatada (km²)
APA Triunfo do Xingu PA 75,19
FLONA de Altamira PA 26,91
RESEX Chico Mendes AC 13,8
APA do Tapajós PA 7,87
FES do Rio Gregório AC 6,1
RESEX Guariba-Roosevelt MT 5,65
FLONA do Jamanxim PA 4,2
APA do Lago de Tucuruí PA 3,15
RESEX Alto Juruá AC 2,98
APA Arquipélago do Marajó PA/AP 2,55
FES do Mogno AC 2,44
FES do Rio Liberdade AC 2,24
RESEX Rio Preto-Jacundá RO 2,2
FES Afluente do Complexo do Seringal Jurupari AC 1,9
FES do Antimary AC 1,85
RDS Amanã AM 1,69
APA Baixada Maranhense MA 1,66
REBIO do Gurupi PA/MA 1,61
APA das Reentrâncias Maranhenses PA/MA 1,51
FES do Paru PA/AP 1,47
FLONA de Tefé AM 1,42
REBIO do Manicoré AM 1,17

Degradação cai 72% entre janeiro e agosto

Diferente do desmatamento, que é a remoção completa da vegetação, a degradação florestal, dano causado pelo fogo e pela extração madeireira, teve uma queda de 72% na Amazônia nos primeiros oito meses deste ano. A área degradada passou de 2.744 km² entre janeiro e agosto de 2025 para 779 km² entre janeiro e agosto de 2026.

Apenas em agosto, a degradação passou de 559 km² em 2025 para 436 km² em 2026, uma queda de 22%. Os estados que mais degradaram em agosto foram Mato Grosso (47%) e Pará (32%). “Os números da série histórica de degradação têm variado mais do que os do desmatamento, que normalmente apresenta tendências de queda ou de alta ao longo de alguns anos. Na degradação, picos de queimadas podem aumentar significativamente a área atingida em alguns anos, o que demonstra o quanto tem sido desafiador combater o fogo na Amazônia”, explica Manoela Athaíde, pesquisadora do Imazon.

Acesse aqui o boletim do desmatamento e da degradação de agosto

Fonte: Valor&MercadoRO com informações do IMAZON

 

 

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