Cultura de suicídio é um problema que precisa ser contido

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Solano Ferreira

Em 1954, quando o então presidente da República, Getúlio Vargas, cometeu suicídio o tema era uma vaga ocorrência que raramente se repetia. Quem diria que 66 anos depois, o país estaria mergulhado numa onda de mortes pelas próprias mãos, e o assunto tomaria conta de diversas famílias brasileiras. No caso de Getúlio, conforme sua carta de despedida, a atitude seria uma lavagem de honra para fim trágico. Atualmente, a depressão vem de diversos motivos, mas sempre ligados ao sufocamento psicoemocional de pessoas que não sabem como lidar com a pressão vivida.

O Brasil registrou no ano passado aumento de 7% na taxa de suicídio. Esse tipo de morte é a segunda causa mais recorrentes em jovens entre 15 a 29 anos, após acidente de trânsito. Entre os adolescentes de 15 a 19 anos, o suicídio foi a segunda principal causa de óbito entre meninas (após condições maternas) e a terceira principal causa em meninos (após lesões na estrada e violência interpessoal). Duas causas são dominantes nas investigações de especialistas: a solidão e a depressão.

A solidão pode ser normal e atinge diversas pessoas pelo mundo, mas é um indicador de doença subjacente quando os sentimentos se tornam excessivos, obsessivos e interferirem na vida cotidiana. No mundo atual, com a ausência de laços familiares e as influencias das novas mídias, os mais jovens vivem o dilema que estar ligado ao mundo e desligados em afetos próximos.

A outra fase é o distúrbio mental caracterizado por depressão persistente ou perda de interesse em atividades, prejudicando significativamente o dia a dia. É nessa fase que a pessoa afetada se perde por completo. Causas possíveis incluem uma combinação de origens biológicas, psicológicas e sociais de angústia. As pesquisas pressupõem que esses fatores podem causar mudanças na função cerebral, incluindo alteração na atividade de determinados circuitos neuronais no cérebro. Assim, esse problema que emerge torna-se muitíssimo preocupante à medida que estende pelo mundo a fora. Soluções imediatas precisam surgir para que as pessoas ao redor do afetado não consumem seus atos.

O autor é jornalista

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