CPI da Covid é instalada com fervor e temor

os integrantes da CPI da Covid no Senado terão amplo trabalho para dar respostas aos mais de 212 milhões de brasileiros

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SOLANO FERREIRA

A sessão de instalação da CPI da Covid ontem (27), aconteceu num clima agitado, mostrando o que virá pela frente nos próximos 90 dias, tempo previsto para a conclusão. A presença voluntária do senador Flavio Bolsonaro (Republicano-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro que terá o governo investigado, causou fervor desnecessário o que pode atrair mais rivais ao bloco governista. Os posicionamentos e os discursos dos governistas, presentes na sessão, expressaram o temor do Palácio do Planalto com o desfecho das apurações e em nada contribuíram para o que se espera como desfecho.

Naufragaram todas as tentativas de retirar o senador Renan Calheiros (MDB-AL) do cargo de Relator. Essa função é estratégica porque caberá ao Relator a responsabilidade pela condução do inquérito. Renan pertence ao bloco oposicionista e o temor é que não aliviará no processo.

A CPI da Covid é necessária e uma obrigação do Senado Federal. Conforme previsto pelos especialistas e pesquisadores, o País fechará o mês de abril na média de 400 mil mortes, volume que não pode passar despercebido, já que a projeção de mortes continuará ocorrendo até que haja o controle total, num País que está descontrolado no combate à doença covid-19.

Na semana em que o Senado começa a investigar os descaminhos da pandemia no Brasil, os países europeus e de outros continentes, começaram a liberar suas rotinas, depois de práticas de ‘lockdown’ e de ‘vacinação em massa’. Essas diferenças mostram que uma pandemia não se combate com discursos e com achismos, mas com rigor de saúde e práticas epidemiológicas comprovadas. Sem vacinação e sem manutenção dos cuidados não venceremos esse mal e ainda poderemos chorar por muitas mortes.

Enquanto assistimos o mundo vencendo a pandemia, os integrantes da CPI da Covid no Senado terão amplo trabalho para dar respostas aos mais de 212 milhões de brasileiros que esperam pelos desfechos punitivos possíveis a quem couber. O que não pode é uma tragédia com mais de 400 mil mortes passar despercebida como se nada fosse.

O AUTOR É JORNALISTA

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