Antigo Regina Pacis entra em atividade com apenas 12 leitos

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Solano Ferreira

O constrangimento vivido em Guajará-Mirim pelo governador Marcos Rocha e sua equipe não foi suficiente para o governo estadual mudar a conduta política durante a pandemia da Covid-19. A assessoria promoveu um ato solene para a entrega de apenas dez leitos do antigo Hospital Regina Pacis, adquirido em maio por R$ 12 milhões, que seria exclusivamente para pacientes da Covid-19. Em Guajará-Mirim, a população foi às ruas para protestar com cruzes que simbolizaram os mortos pela Covid-19. Na solenidade em Porto Velho a população não compareceu, mas a repercussão do ato correu rápido tão logo noticiado pelas emissoras de TV.

Dezenas de pessoas convidadas estiveram no ato político solene e ainda adentraram a unidade, inclusive nos leitos de UTI que são de acesso restrito. Tudo indica que foi preciso fazer ampla higienização de todo o andar por onde os convidados circularam para conhecer a primeira parte da reforma. Na semi-inauguração não tinha nenhum paciente internado, entre os muitos que estão em tratamento na capital. Também não houve divulgação de quando serão entregues os demais leitos.

O empenho de compra do Regina Passes foi emitido com data do feriado de 1º de maio de 2020 quando o número de mortos em Rondônia era de 18 vítimas. A entrega dos dez primeiros leitos ocorreu em 24 de junho de 2020 quando o número de mortes era 444 pessoas, conforme dados de 23/06/2020, do próprio governo estadual. Na época da compra, a Sesau (Secretaria de Estado da Saúde) previa 140 leitos clínicos nessa unidade, conforme notícia publicada no site do governo estadual em 15/05/2020. Se for mantida a quantidade de leito do projeto inicial, a unidade estaria no momento com menos de 10% da capacidade. Pelo visto o antigo Regina Passes, chamado pelo governo de ‘hospital de campanha’, ainda demorará mais uns dias para concluir a reforma e estar 100% em atividade.

A definição de ‘hospital de campanha’ é uma pequena unidade médica móvel, ou mini-hospital, que cuida temporariamente das vítimas no local antes que possam ser transportadas com segurança para instalações mais permanentes. Este termo é usado predominantemente com referência a situações militares, mas também pode ser usado em tempos de desastre ou catástrofes. Geralmente é em local de fácil acesso da população, mas em Porto Velho, o endereço fica na região central, longe dos setores Zona Sul e Zona Leste, onde concentra a maioria da população infectada.

O autor é jornalista

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