A importância da escola no combate à prevenção à violência doméstica

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Larina Rosa

O espaço escolar é o melhor ambiente para criar uma consciência crítica. É a partir da
escola que a criança começa a interagir em grupo e a entender seu papel no contexto
social. Também é lá que acontece o impulsionamento da reflexão dos estudantes para
promover a igualdade entre homens e mulheres, prevenir e coibir a violência contra a
mulher.
No final do mês de novembro foi divulgada a triste notícia do estudante de oito anos
do município de Vale do Anari, interior de Rondônia, que usou a avaliação para
denunciar que a família sofria violência doméstica e pediu intervenção da escola. Na
prova o aluno anotou o endereço e a Polícia Civil foi notificada pela rede escolar. No
local foi constatado pela polícia que a criança e outros três irmãos de 13, 14 e 16 anos
também eram agredidos pelo homem há mais de 10 anos.
Imagino a coragem dessa criança e confiança na professora e na rede de apoio escolar
para fazer a denúncia. Situações como essa demonstram a importância da escola na
vida dessas crianças.
É dentro da sala de aula onde se consegue identificar o problema familiar. A violência
doméstica começa a dar sinais através de baixo rendimento da criança por falta de
atenção e concentração, comportamentos de agressividade, passividade ou choro e
ausências frequentes. E sem dúvida, não existe lugar melhor para reduzir as
desigualdades de gêneros e incentivar a construção de uma sociedade que melhora as
condições de vida das mulheres.
Em junho deste ano foi sancionada a Lei Nº 14.164 que altera a Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional, tornando obrigatória a inclusão de conteúdos voltados ao
combate e à prevenção à violência doméstica na grade de ensino básico das escolas
públicas e privadas do país. Além de instituir a Semana de Combate à Violência contra
a Mulher, a ser realizada anualmente, no mês de março. Um marco na vida de
milhares de mulheres e crianças que sofrem violência doméstica neste país.
Através da Lei a escola vai abordar os mecanismos de assistência à mulher em situação
de violência doméstica e familiar, integrar a comunidade escolar no desenvolvimento
de estratégias para o enfrentamento das diversas formas de violência, capacitar
educadores e conscientizar a comunidade sobre violência nas relações afetivas e
promover a produção e a distribuição de materiais educativos relativos ao combate da
violência contra a mulher nas instituições de ensino.
Sobre a distribuição de materiais sugiro às autoridades a produção de uma cartilha
educativa impressa para os alunos da rede estadual de ensino sobre as noções básicas
da lei maria da penha, falando sobre a importância de promover a igualdade de gênero
que previnem e evitam a prática de violência. Com o intuito de transformar através da
educação a cultura machista do estado que tanto maltrata e mata nossas mulheres.
Ações de conscientização sobre o combate de violência contra a mulher nas escolas
são essenciais para retirar Rondônia do ranking do estado brasileiro que mais registrou
crescimento de homicídios dolosos e estupros com vítimas do sexo feminino. A
educação é sem dúvida a arma mais poderosa para mudar o mundo. Por isso, já
passou da hora de aplicá-la aqui.

* A autora é jornalista

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